Kiskina encerra as suas atividades em Miracema


O tradicional bar do Kiskina, que teve início de seu funcionamento em 1975, há 44 anos, fechou as suas portas, neste domingo dia (13/01}, para a tristeza dos seus frequentadores, que ali saboreavam seu chope, sua cerveja, seus salgadinhos e sucos, sem falar no frango assado, aos domingos.

Quem viveu as décadas de 80, 90 e 2000, nos tempos áureos do Bar kiskina, com certeza, terão boas recordações para contar os mais jovens, que não tivera, a mesma sorte de curtir o melhor point da cidade.

NOTA DE ESCLARECIMENTO.

KISKINA CONTINUA VIVA

Em razão de diversos boatos, informamos que as atividades do tradicional KISKINA CHOPP não foram encerradas. Estaremos provisoriamente em outro endereço até que se conclua a reforma do prédio histórico que prestamos serviços há mais de 40 anos. Assim que efetivada a reforma estaremos retornando com muitas novidades. 
Grande Abraco, Ronei e Família

Por Jose Guilherme Machado

 


Abaixo, o texto do jornalista Adilson Dutra, publicado em 2017


O dia em que Solon voltou a terrinha

Há alguns dias criaram um grupo no Facebook, bem bacana por sinal, por onde a turma de miracemenses saudosos, ausentes e presentes, mata a saudade da "Terrinha" e relembra fatos, pessoas, lugares e tudo aquilo que lhe faz lembrar da cidade natal ou, para os que adotaram a cidade, de sua terra escolhida. 

Ao ver o pessoal falar dos nossos personagens, de lugares que lhe deram prazer e que até hoje estão na memória, me lembro quando fui escolhido pelo velho jornalista Ermê Solon para ser o seu cicerone em seu retorno a Miracema após quarenta anos sem ver a "Terrinha". 

O peguei na Rodoviária, que segundo ele estava bem melhor do que aquela que deixou para trás quando foi embora, ele me perguntou: 

- A Fábrcia de Tecidos não funciona mais? E o Charden, onde está o Armazém do libanês? 

O meu silêncio já respondeu e ali adivinhei que ficaria mudo durante todo o trajeto, Rodoviária x Hotel Varandas, porque as perguntas seriam muitas e as lembranças agradáveis poderiam se transformar em lágrimas. 

Ele, veterano jornalista, com bagagem internacional, percebeu minha angústia e não mais perguntou e sim afirmou. - Aqui ficava o Hotel Assis, meus amigos, quando vinham a Miracema, ficavam aqui. 

E seguiu olhando a Padaria do Olegário dizendo que não era do seu tempo, mas o dono, quando ficou sabendo falou, lhe trazia lembranças de quando tinha o estabelecimento lá nas proximidades do Marcelino. 

- O Olegário tinha uma padaria em frente ao comércio do Custório Cruz, estou certo? 

Respondi que sim e seguimos em frente passando, segundo ele, em frente aos Correios. - Onde está o prédio dos correios hoje? Era bem aqui, hoje a loja da família Chiapin. 

Expliquei que não acabou, afinal algo ainda existia para eu não magoar meu velho ídolo do jornalismo. E seguimos em frente e ele, sempre com a memória em dia, queria saber do Toninho Richard e Dona Beleza.  Aqui, Dutra, tinha o melhor sanduíche da cidade, a carne de porco, assada, da esposa do Toninho era fantástica. 

E o primeiro sobressalto do velho miracemense, o coração do homem batia muito forte quando adentrou na reta da Rua Direita. - O que fizeram com o Hotel Braga? Meu Deus, que covardia! E o pior estava por vir. 

- Menino, não tem mais o Bar Pracinha? E eu, polidamente respondi, nem o Bar Central, nem o Bar Leader, nem o Bar Mocambo.

 - Não tem mais bife do Angeludo? O do Farid eu sabia que o velho morreu, mas acabar o Bar Pracinha? Isto aqui era ponto de referência, me  lembro o dia em que cheguei a Lisboa, pela primeira vez, diz Ermê Solon quase chorando, olhei para o bar onde tomamos um vinho e disse para meus companheiros, que foram cobrir Benfica  x Santos, pelo Mundial de Clubes de 1962, este bar é filial do Bar Pracinha, lá da minha Terrinha. Saudade de Miracema, disse eu na oportunidade e a turma riu sem saber que era realmente uma verdade. 


E lá fomos nós andando, quase calados, na velha e querida Rua Direita. Os olhos do mestre brilhavam e as perguntas eram necessárias para reviver o seu passado na cidade. - Ainda existem as Bandas de Músicas? Sim, a Sete está viva, graças a Deus mas a Quinze fechou as portas há um tempão. - Melhor assim, né mesmo menino? 


E lá fomos nós andando, passando em frente ao Rei dos Barateiros e o sorriso se abriu novamente. - Oba! Felizmente um excelente comércio da região ainda está vivo. E eu disse que a Casa Nova também existia no mesmo lugar. - Virou uma grande rede, né mesmo? Em breve nem isto teremos mais, os donos não são mais os mesmos e breve teremos notícias desagradáveis, completou Solon.

O velho amigo gostou da Kiskina, adorou o pastel, que mereceu elogios ao ser comparado com o do Vovô Vicente, gostou de ver o Jardim em bom estado, mas ficou furioso quando soube que a Fonte Luminosa não funcionava. - Vi a inauguração deste monumento da cidade e me lembro que foi um dos últimos atos que vivi na minha terra, uma pena, vamos pedir ao prefeito para que faça uma reforma? 

E não é que ele foi até a prefeitura, no dia seguinte, falar com o prefeito?  E fomos andando, uma parada para falar com o Jofre Salim, meu Deus, quanta alegria no reencontro dos grandes miracemenses, uma reverência ao Michel Salim, seu grande amigo, um olhar profundo no Edifício construído pelo Capital Altivo Linhares, segundo Solon a obra mais importante do seu tempo na cidade, e uma pausa para olhar mais atento para o Jardim e para o entorno do mesmo.

- Aqui, menino, vivi meus grandes dias, as peladas do Rink, as brincadeiras de pião, finco e bolinha de gude reuniam dezenas de garotos por aqui e o Cabo Atleta ficava de olho para que não subíssemos em árvores ou jogássemos pedras nas frutas. 

Solon sentou, foram quase duas horas de caminhada entre a Rodoviária e o Jardim, e chorou como uma criança desmamada, lágrimas de saudades, lágrimas de tristeza por ver tudo aquilo que deixou para trás destruído ou trocado pela modernidade. 

E é assim que vejo o nosso grupo "Em Miracema ou no cinema" na rede mundial da Internet, e espero que este encontro, na Exposição, seja realmente fantástico e que possamos encontrar um grande grupo de amigos, que como Ermê Solon, chore, ria e abracem a todos os antigos amigos da minha querida Terrinha chamada Miracema.


Por Adilson Dutra/2017